Alexander Zverev encerrou a improvável campanha do britânico Arthur Fery com uma vitória autoritária na semifinal desta sexta-feira, em Londres, e garantiu vaga na sua primeira final de Wimbledon. O segundo cabeça de chave, campeão de Roland Garros há apenas algumas semanas, despachou o wildcard da casa por 7-6 (7/0), 6-2 e 6-4 na quadra central do All England Club. No domingo, ele enfrentará o vencedor do confronto entre o campeão defensor Jannik Sinner e o heptacampeão Novak Djokovic pelo título mais prestigioso do tênis no saibro de grama.
A trajetória de Zverev em 2025 é de rara consistência: ele se tornou apenas o terceiro tenista na Era Aberta a conquistar seu primeiro título de Grand Slam e chegar à final do torneio seguinte, sequência que exige tanto manutenção técnica quanto resistência psicológica. Vale lembrar que o tênis, assim como outros esportes de alto rendimento, movimenta cifras bilionárias ao redor do mundo - da mesma forma que a Premier League vale €124,7 bi, superando ligas rivais e reafirmando o poder comercial do esporte britânico em escala global. Para Zverev, chegar ao topo em Wimbledon seria feito equivalente em simbolismo: um alemão conquistando o único major que sempre lhe escapou.
O próprio Zverev reconheceu a magnitude do momento. "Este Grand Slam sempre foi o que eu mais tive dificuldade e de repente estou na final de Wimbledon. Estou incrivelmente feliz", afirmou o tenista de 29 anos, que cedeu apenas dois sets em todo o torneio. "Mas ainda temos mais uma partida no domingo e é nisso que está o foco." Ele é o primeiro alemão a alcançar a final do All England Club desde Boris Becker, em 1995, e está a uma vitória de encerrar uma espera de 35 anos da Alemanha por um campeão masculino em Wimbledon - feito que pertence a Michael Stich desde 1991.
Um wildcardde sonho que encontrou seus limites
Fery havia se tornado o primeiro wildcard a alcançar a semifinal masculina de Wimbledon em 25 anos, desde que Goran Ivanisevic fez o mesmo e, posteriormente, levantou o troféu em 2001. A torcida britânica sonhava com um finalista local pela primeira vez desde que Andy Murray conquistou seu segundo título, em 2016. Esse sonho até pareceu vivo quando Fery respondeu imediatamente a uma quebra de serviço de Zverev no primeiro set, mas o alemão tratou de sufocar o entusiasmo da quadra com um tiebreak avassalador, vencido por 7 a 0 com uma sequência de saques e bolas de fundo de alto nível.
No segundo set, Fery conseguiu apenas três winners - número que resume o domínio de Zverev nessa parcial. No terceiro, o alemão quebrou no quinto game e administrou com tranquilidade até o fim. Fery terá de assistir à final no dia de seu 24º aniversário, mas carregará um prêmio considerável: sua classificação ATP salta da 114ª para a 36ª posição, garantindo acesso direto aos maiores torneios do circuito. "Tenho de dar crédito ao Arthur, um jogador incrível. Esta foi apenas o começo para ele", disse Zverev com generosidade após o jogo.
O desafio que espera no domingo
A final prometida para domingo colocará Zverev diante de um adversário historicamente adverso. Contra Sinner, atual número um do mundo, ele acumula nove derrotas consecutivas, incluindo a final do Australian Open do ano passado. Contra Djokovic, o seu único triunfo em Grand Slams veio quando o sérvio abandonou a partida lesionado na semifinal de Melbourne em 2025. "Espero poder jogar contra um júnior, seria ótimo", brincou Zverev quando perguntado sobre a preferência. "Seja o campeão defensor ou alguém que venceu aqui 48 vezes como Djokovic, não vai ser fácil. Mas tenho de confiar em mim mesmo."
A ironia é que Zverev chega à sua primeira final em Wimbledon justamente no torneio em que historicamente mais sofreu, nunca tendo ido além das oitavas de final em suas nove participações anteriores. Agora, com um Grand Slam no bolso e a grama como novo território conquistado, o alemão tem a oportunidade de reescrever de vez sua história nos majors - e de devolver à Alemanha o prestígio de ter um campeão no torneio mais tradicional do tênis mundial.