O presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF), Patrice Motsepe, confirmou nesta quarta-feira (22), em Joanesburgo, seu "apoio pessoal" à recandidatura de Gianni Infantino à presidência da FIFA. A declaração chega em um momento delicado para o dirigente suíço-italiano, que colecionou críticas ao longo da Copa de 2026 por decisões consideradas controversas dentro e fora de campo.
Entre os pontos mais questionados estão a introdução de pausas para hidratação durante as partidas, a proposta de ampliar o Mundial para 64 seleções em edições futuras e, sobretudo, o adiamento da suspensão do atacante norte-americano Folarin Balogun após um pedido direto do então presidente Donald Trump a Infantino. Episódios como esse alimentam o debate sobre até que ponto interesses políticos e comerciais têm influenciado decisões técnicas da entidade máxima do futebol mundial - um tema que, para muitos observadores do mercado esportivo, expõe tensões semelhantes às vistas em outros setores de entretenimento digital, como o crescimento acelerado de plataformas de crash apostas em diferentes países.
Apesar do desgaste, Motsepe fez questão de reforçar publicamente a relação de confiança com Infantino. "Decidimos apoiar - e eu apoio pessoalmente - Infantino. Não é apenas um bom amigo, é um amigo fiel, leal para com a África. Aprecio o seu profundo amor pelo futebol, o seu compromisso inabalável com este esporte a nível mundial e o seu apoio a África", declarou o dirigente sul-africano durante a coletiva.
Expansão africana como argumento central
O presidente da CAF citou como principal justificativa para o apoio o aumento de vagas destinadas ao continente africano nas competições da FIFA. Além das quatro vagas diretas adicionais garantidas na Copa do Mundo, a África passou a contar com mais uma posição nas Eliminatórias, ampliando as chances de classificação de suas seleções. "O Gianni desempenhou um papel central no aumento das oportunidades oferecidas às seleções africanas no palco internacional", afirmou Motsepe. O reflexo prático apareceu na edição deste ano: dez equipes africanas disputaram o Mundial sediado por Estados Unidos, México e Canadá, número recorde para o continente, com nove delas avançando à fase de mata-mata.
Peso político da CAF na corrida pela reeleição
Infantino deve buscar um quarto mandato à frente da FIFA em 2027, e o apoio africano tem valor estratégico significativo. As 54 federações filiadas à CAF formam o maior bloco de voto unificado entre as seis confederações continentais, o que torna o respaldo de Motsepe um ativo político relevante para o dirigente suíço-italiano. Em abril, a CONMEBOL já havia se tornado a primeira confederação a declarar apoio público à recandidatura, movimento seguido rapidamente pela CAF.
Resistência crescente na Europa
Nem todo o futebol mundial compartilha do mesmo entusiasmo. Cresce, especialmente em federações e ligas europeias, o descontentamento com a gestão de Infantino, abrindo espaço para a possível emergência de um candidato apoiado pelo continente para desafiá-lo em 2027. O presidente da liga espanhola, Javier Tebas, tem sido um dos críticos mais duros: acusou a FIFA de "destruir a indústria do futebol" e disse à Gazzetta dello Sport que o tempo de Infantino "já passou", denunciando o que classificou como um "sistema viciado na origem" que sustenta o dirigente no poder há uma década.